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sábado, 30 de outubro de 2010

O último debate!


          No dia de ontem, 29 de Outubro, a Rede Globo realizou o derradeiro debate entre os candidatos à Presidente do Brasil. A forma como o debate foi organizado foi a melhor que já vi: cidadãos perguntando diretamente aos presidenciáveis.
          Depois de ouvir muita coisa e pensar sobre a campanha de ambos, Serra e Dilma, fico triste em saber que, necessariamente, um deles ficará com o poder. Isto porque ambos são escolhas ruins, em maior ou menor proporção - aí cabe a cada um decidir. O candidato Serra jogou fora qualquer pretensão de ser eleito neste último debate. Não teve muito sucesso em convencer o eleitor que ele é a melhor escolha. A candidata Dilma, apesar de ter melhorado - muito, diga-se de passagem - nos debates, ainda traz consigo a sombra de Dirceu & Cia, que inevitavelmente farão parte de seu governo caso seja eleita.
          Após assistir algo assim, tudo se resume em uma frase: que saudades da Marina!

domingo, 24 de outubro de 2010

O Jardineiro

Em todas as manhãs de domingo, pouco depois do Sol ter se levantado, o jardineiro chegava. Trazia em uma das mãos a caixa com as ferramentas de seu ofício: tesoura para grama, pá não muito maior que uma mão e garfo para afofar terra. Espalhava o conteúdo ali mesmo, perto dos crisântemos.
          De olhos sempre sérios – numa tentativa mal sucedida de esconder o cansaço – olhava a extensão do pequeno jardim. Derruba os formigueiros e arrancava ervas que insistiam em crescer. Usava a tesoura na grama que, vinda de fora, tentava escalar os tijolos cobertos de concreto. Revolvia a terra em alguns pontos e, de vez em quando, pegava o regador, fazendo chover sobre violetas e jasmins.
          A linha colorida era um limite. Circulava o sepulcro dando um pouco de vida aos ladrilhos brancos e estéreis. Uma fotografia era vista lá dentro através de duas portas de vidro. Embaixo daquele rosto sorridente e jovem estampado em papel, havia um nome e algumas datas.
          Aqueles que prestassem atenção notariam a triste semelhança entre o retrato em preto e branco e o jardineiro. Eram expressões opostas, de fato. Enquanto um sorria imóvel, o outro carregava na face a memória do que há muito fora levado pelo tempo.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

RPG?!

O que é isso? Talvez seja esta a primeira questão de muitas pessoas que não conhecem o jogo. O nome, RPG, não nos diz muita coisa. Uma explicação rápida e estabanada de um jogador também não. Portanto, com o nobre intento de informar você, leitor do meu blog, colocarei aqui uma matéria escrita pelo pessoal da Rede RPG que acredito ser suficiente para que todos passem a entender melhor o jogo. Pessoalmente, adoro RPG - muito embora houveram alguns problemas para organizar sessões nos últimos tempos - e jogo com um grupo de amigos. Aproveito para adiantar que RPG não é culto à satã, ao cão, ou à quem quer que seja. Da mesma forma, não se promovem assassinatos ou qualquer coisa relacionada. Digo isto porque vários mitos sobre o jogo já apareceram por aí.
          Espero que o texto desperte seu interesse a respeito do jogo. Espero também um comentário, pois pesquisei tudo com muito carinho (meigo). Então, é isso aí! Aproveitem.

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"          RPG é a sigla em inglês para roleplaying game, que pode ser traduzido como jogo de interpretação ou de representação de personagens. Ele foi criado em 1974, com o lançamento da primeira edição do mais famoso RPG do mundo, o Dungeons & Dragons, criado por Gary Gygax e Dave Arneson.
          Em um jogo de RPG, os jogadores assumem o papel de personagens fictícios em cenários variados, como se fossem heróis de filmes de aventuras como O Senhor do Anéis, Star Wars, Matrix, Underworld, O Último Samurai, etc. Só que, ao contrário de um filme, o final não está definido: ele é desenvolvido no decorrer do jogo, conforme as ações dos personagens, que são decididas pelos jogadores. É como um videogame, mas com muito mais opções para os jogadores escolherem.
          RPG é um jogo coletivo e cooperativo, então você vai precisar chamar um pequeno grupo de amigos, normalmente você e mais quatro, mas podem ser mais ou menos. Se você está aprendendo a jogar, tente não formar um grupo muito grande: você e mais três ou quatro amigos já está de bom tamanho.
          Em uma partida de RPG existe uma função específica feita por um dos jogadores, que é chamada de Mestre do Jogo (ou simplesmente, Mestre) ou Narrador. É ele que cria e conduz a história jogada pelo grupo, interpreta os outros personagens que não sejam os dos jogadores (chamados de Personagens do Mestre ou simplesmente de PdMs), joga os dados pelos oponentes durante os combates e decide alguma situação de impasse durante o jogo. Ou seja, ele é uma mistura de roteirista, diretor e mediador da partida. A função de Mestre do Jogo não precisa ser sempre exercida pela mesma pessoa, podendo haver um rodízio entre os jogadores.
          Uma aventura de RPG pode durar o tempo de uma sessão de jogo (algumas horas ou mesmo uma tarde inteira) ou mais de uma sessão de jogo. Uma série de aventuras de RPG interligadas – jogadas com os mesmos personagens – é chamada de campanha. Diferente de outros jogos, uma campanha de RPG pode durar muito tempo, até alguns anos, dependendo apenas da vontade e disponibilidade do Mestre e dos jogadores de continuar jogando a mesma campanha e com os mesmos personagens.
          Para jogar RPG, os principais ingredientes são a imaginação e a criatividade: as cenas e situações são descritas ou interpretadas pelo Mestre do Jogo, e os jogadores descrevem ou interpretam as ações de seus personagens. Além disso, normalmente se usa papel, lápis e dados de formatos variados, que são usados para verificar se algumas ações mais complexas foram bem-sucedidas, como as cenas de combate. Para isso, existem livros que trazem regras para situações em que a descrição e a interpretação não possam resolver, e cenários ou mundos de jogo onde as aventuras dos personagens podem ser ambientadas.
          No RPG não existem vencedores ou perdedores: ele é um jogo totalmente cooperativo onde todos se divertem. Além da imaginação e da criatividade, ele estimula o raciocínio, a leitura, o trabalho em grupo, a socialização e conhecimentos variados.
          Hoje o RPG é usado em várias áreas além do entretenimento, como Educação, Ludoterapia e Recursos Humanos. Ele é um dos poucos jogos recomendados pela NASA, justamente por estimular o trabalho em equipe e não a competição."

Marcelo Telles
Coordenador da REDERPG

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Para mais artigos, visite www.rederpg.com.br

domingo, 17 de outubro de 2010

A Mulher Que Usava Xadrez

Em uma manhã de sábado, enquanto debruçava-me sobre a janela da varanda e observava as pessoas lá embaixo, notei que uma mulher empurrava um carrinho de bebê vazio. Usava longa saia xadrez que bailava ao vento, roçando-lhe os tornozelos. Certamente não chamaria minha atenção se não fosse pela falta do diminuto ocupante do carrinho. Procurei deixar a questão de lado, pois aquilo nada tinha de estranho: a moça poderia muito bem estar indo buscar a criança ou qualquer outra coisa. As possibilidades eram muitas e não quis dar mais importância ao fato.
          Três dias depois encontrei-me novamente na janela a admirar o movimento das pessoas. Bebia café e ainda vestia meu pijama azul. Olhei para um cruzamento e a vi. A mesma mulher, o mesmo carrinho. Dobravam a esquina com normalidade. Passos sem pressa e mãos firmes conduziam o veículo. Imaginei que desta vez haveria alguém lá dentro; talvez um sujeitinho levado em passeio matinal. Mas enganei-me. Assisti a moça parando em frente a uma loja e verificando a vitrine, quando andou até a frente do carrinho e ajeitou um cobertorzinho de cor verde clara que forrava o interior. Fez isso de forma impecável, precisa. Indaguei-me se seria esta mulher algum tipo de babá que seguia seu caminho para o trabalho, mas todas as evidências que possuía me convenciam que não era o caso: uma babá não levaria o carrinho para casa; além disso, ninguém poria o interior do carrinho em ordem tão minuciosa antes de este receber o especial passageiro.
          Passei a observá-la em todas as manhãs, e sempre acontecia a mesma coisa. Por uma ou duas vezes pude vê-la horas depois, enquanto passava em frente a minha casa na direção contrária daquela tomada pela manhã. Em certa tarde, quando o Sol já dava os últimos e preguiçosos suspiros antes de morrer no horizonte, surpreendi-me ao perceber a mulher de saia xadrez do outro lado da rua. Carregava um par de sapatinhos em uma das mãos, enquanto a outra guiava o coche vazio. Quantos significados escondiam-se naquela cena? Não pude pensar em muita coisa.
          Lembro-me bem da última vez que a vi. Era Outubro e todos aproveitavam os agradáveis dias de primavera. Como sempre, ela apareceu. Caminhou até uma das lojas que pontilhavam o passeio e parou. Da janela, sempre me perguntava o que me fazia ficar lá, olhando a cena. Fui buscar mais café, e quando voltava não passei da porta do quarto. Estaquei no momento em que sons de pneus arrastados no asfalto chegaram até mim, seguidos do baque singular dos acidentes de trânsito. De um pulo chequei a janela, espalhando café por todo o chão. Meu coração gelou quando vi a moça de saia xadrez ajoelhada ao lado dos destroços plásticos de um carrinho de bebê. Algumas pessoas reuniam-se ao local, procurando pelo o que deveria haver dentro do carrinho. Vi os sapatinhos brancos jogados na rua, formando contraste carregado de aflição. Foi só então que eu entendi.
          Saí de casa e fui até a moça. Ainda chorava quando coloquei a mão no seu ombro. Nunca havíamos conversado, mas naquele momento ela me parece tão familiar, como se fôssemos amigos de longa data. Engoli seco antes que as palavras pulassem de minha boca:
          - Eu te compreendo. Você ficará bem – disse enquanto abraçava-a.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Monty Python

Para quem ainda não conhece, sugiro que assistam as esquetes do grupo de comédia britânico Monty Python. Os episódios foram ao ar no ano de 1969, tendo suas exibições encerradas em 1974. Espero que gostem.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Até onde vai a violência?


Pais e mães do Brasil, já estão à venda no Rio de Janeiro os carros blindados do BOPE, popular Caveirão, em versão brinquedo. É mais uma opção para você que ainda não decidiu o presente de seu filho neste Dia das Crianças. Sucesso na certa! Ainda mais com Tropa de Elite 2 estreiando nos cinemas.
          Na semana em que uma idosa é morta durante tiroteio na cidade do Rio de Janeiro, temos a notícia que a versão plástica do Caveirão é um dos brinquedos mais procurados nas lojas de departamentos. Em que a violência se transformou? Gente que morre na rua enquanto vai pra casa não assusta mais?
          Quem sabe agora as crianças não brinquem mais de corrida de carrinhos ou de montar uma 'garagem' com eles:
          - O caveirão tá subindo o morro, João!
          - Pára ai, Pedro, por que agora o meu bonequinho colocou o fuzil por cima do muro e tá disparando!
          - Você acertou um morador! HAHAHAHA! Já estão arrastando ele... Corre, Corre! O caveirão tá subindoooo! Vrrruuuuum...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Whisky e Maldições

Já passa muito da hora de dormir. O whisky assalta meus sentidos de uma só vez. Deixo-me levar, não demonstro resistência. Dois dias, se me lembro bem, sem descansar, sem pegar no sono. Uma mão, que julgo ser a minha, treme ao segurar a garrafa para servir mais bebida. O cigarro pendura-se nos dedos com sua fina coluna de fumaça em sinuosa escalada. Pensamentos me assombram, sufocam; sussurro palavras de forma quase inaudível: maldições às quatro da manhã.
          Rejeito toda a alegria do mundo; rejeito a clemência que podem sentir. Desejo apenas minha música; meu blues bem alto pra fazer o gelo no copo tremer. Que os homens padeçam diante da falsa promessa de salvação, mergulhem no sangue que escorre dos matadouros de suas crianças. Pagarão também os bons inocentes, pois o mal não fará distinção entre homicidas e santos. De minha parte, preferia estar no inferno, saudando Satã. Um brinde, amigo! Amaldiçoe a felicidade que me é negada. Faço um elogio à desordem da vida, à excentricidade de não saber que atitudes tomar, ao caos contido numa xícara de café, à embriaguez.
          Imagens do que um dia tive recusam morrer, insistem em não se dobrarem à minha ordem; escondem-se como um tormento e voltam em recordações frias. Não quero morrer em fraqueza, tampouco pretendia viver em lamento. Mas, pode a desesperança ser tomada como sobrevida? Um modo sinistro de atravessar os fatos, com certeza.
          Esforço-me para esquecer minha natureza humana. Uma origem cercada de frágeis sentimentos; insustentáveis como a fina linha da sanidade. Não posso suportar o amargo do amor: a pestilência dos homens; conjurado para levá-los à decadência. Pobre mundo que ainda vive em mentes mutiladas, cegas pela inverdade. Pretensões de bondade foram apagadas de mim, sepultadas por noites de inverno eterno. O luxo noturno anda pela casa, espalha o luto de sua escuridão e povoa as paredes com miseráveis fantasmas. Qualquer vontade de mudança é lavada pela mistura de água gelada e whisky que bebo aos poucos: goles fatais em direção à loucura.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Dilma e as doações oficiais

Neste último dia do mês de Setembro, a Rede Globo promoveu debate com quatro dos candidatos à Presidência. Foi a última chance que os eleitores tiveram para assistir os presidenciáveis e avaliar, ou não, suas propostas de um Brasil melhor. Mas este post não fará consideração alguma sobre como cada um se saiu (Marina 43!)... Apenas trago um vídeo, para quem ainda não viu e para os que desejam ver denovo, com algumas frases da Dilma que foram motivos de risos da platéia. Aproveitem e comentem!